A pandorca hedionda

Num banco estava a pandorca
Sentada. Com sonoro arquejo
Comia como uma porca.
Era razão de motejo.
 
Desmedida compleição
E de têmpera irascível,
Era o que a minha visão
Se me afigurava crível.
 
Era fria no olhar,
Insensível no trejeito
E fazia balouçar
A cruz que trazia ao peito.
 
Decidi interpolar
A sujeita. E com calma
Acabei por confirmar
Que a pessoa tinha alma.
 
Com sorriso me apontara
Enquanto estendia a mão
Que vero lhe vira a cara
Não lhe vira o coração.
 
É a pandorca hedionda
Quem sabe como ninguém
Que quem não tem que se esconda
Não sabe aquilo que tem.

Sobre Sérgio O. Marques

Licenciado em Física/Matemática Aplicada (Astronomia) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Mestre em Matemática Aplicada pela mesma instituição, desenvolvo trabalho no PTC (Porto Technical Centre) - Yazaki como Administrador de bases-de-dados. Dentro o meu leque de interesses encontram-se todos os temas afins às disciplinas de Matemática, Física e Astronomia. Porém, como entusiasta, interesso-me por temas relacionados com electrónica, poesia, música e fotografia.
Esta entrada foi publicada em Poemas. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s