Fim do mundo

Sangra o céu lágrimas de destruição
Cuspindo colossais colunas de fogo
E força e raiva e fúria e desolação
E incinerando multidões num rogo.
Esvicera-se da Terra o manto, a torrente
De lava do núcleo exala-se impiamente
Fervendo-se os mares com violência.
Sente-se da lua o pavor, o terror,
Os gritos, os uivos, o medo, a dor,
A onda nemésica da demência.
Rasgam-se na crosta abissais abismos
Onde se precipitam sopros de vida.
Vociferam aos ares irados sismos
Vertendo-se o sangue de ferro fundido.
Do ventre jorra plasma, fende-se a ferida
Ficando o regozijo ao pânico jungido.
Bruxuleia trémula a luz do sol
Permeando nuvens de cinza que se adensam.
Na penumbra, brutais centelhas raiam
Incendiando o vento, enxofrando o ar,
Desarraigando florestas num mole,
Irradiando e coriscando sem cessar.
Brota do solo incólume um ledo pinho
Devaniando esperança e alegria,
Um cálido gesto ou a candura dum carinho.
Não mais verá o bafo quente do dia.
Caem sucessivamente nações inermes,
Fustigam-se entes, fulminam-se germes,
Destroem-se impérios com mão fechada.
No fim nada resta, nada fica, nada!

Sobre Sérgio O. Marques

Licenciado em Física/Matemática Aplicada (Astronomia) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Mestre em Matemática Aplicada pela mesma instituição, desenvolvo trabalho no PTC (Porto Technical Centre) - Yazaki como Administrador de bases-de-dados. Dentro o meu leque de interesses encontram-se todos os temas afins às disciplinas de Matemática, Física e Astronomia. Porém, como entusiasta, interesso-me por temas relacionados com electrónica, poesia, música e fotografia.
Esta entrada foi publicada em Poemas. ligação permanente.

2 respostas a Fim do mundo

  1. Júlia diz:

     
    Adorei o seu blog, principalmente os poemas que são de muita qualidade. Também gosto de poetar e pertenço a alguns grupos de poesia, pertence a algum?
    Quanto às fórmulas não entendo nada…
    Cumprimentos poéticos
     
    Lucy-rx

  2. Filipe diz:

    Epa o poema ta altamente…..desenhastes o cenario completamente caotico, parece mesmo o fim do mundo, tudo ganha real vivencia e td parece autodestruir-se

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