Sobre a génese do consumo

Aqui há dias, recebi um mail com o link para um vídeo (The story of stuff, a histórias das coisas). Trata-se de um vídeo que foca um dos aspectos essenciais do regime capitalista, também designado por regime de corporações livres e os devaneios a este associados. Esse aspecto é precisamente o consumo.
Lá , somos levados a crer que o conceito se fundou num preceito escrito num dado artigo (o preceito está colorido a azul abaixo).
Fiz uma pequena investigação nesse sentido e pude verificar que o artigo não era preceituado mas crítico. Segundo este artigo, deveríamos ter feito o contrário há muitos anos atrás – de qualquer forma o vídeo é excelente.
Deixo aqui uma nota de como uma mentira pode ser tomada como uma verdade, quando só vemos a ponta ao icebergue. Note-se ainda que já nessa altura, o autor responsabilizava a rádio e a televisão pelo que estava a acontecer (pode-se constatar isso se se ler o artigo na íntegra – coloco a fonte no final deste artigo). Exponho aqui a secção onde aparece a famosa referência.

"A nossa tremendamente produtiva economia exige que façamos do consumo o nosso modo de vida, que convertamos a compra e uso de bens em rituiais, que procuremos a nossa satisfação espiritual, a satisfação do nosso ego, no consumo. A medida do estrato social, da aceitação social, do prestígio reside agora nos nossos padrões de consumo. O próprio sentido e significado das nossas vidas é actualmente expresso em termos de consumo. Quanto maior é a pressão sobre o indivíduo para o conformar com vendas e padrões sociais aceites, mais este tende a expressar as suas aspirações e a sua individualidade em termos daquilo que usa, conduz, come – a sua casa, o seu carro, os seus hábitos alimentares, os seus passatempos.
Estas comodidades e serviços devem ser oferecidos ao consumidor com alguma urgência. Não só pretendemos consumo de "alta velocidade" como também consumo "dispendioso". Precisamos dos produtos consumidos, substituídos e descartados a um ritmo cada vez maior. Temos a necessidade de ter pessoas a comer, beber, vestir, pilotar, viver de forma cada vez mais complexa e, desta maneira, mais caro se torna o consumo. Os electrodomésticos e o serviço completo do "faça-o você mesmo" são excelentes exemplos do consumo "careiro".
O que se mostra claro é que de um mais lato ponto de vista da nossa economia, o efeito total da publicidade e promoção e vendas consiste em criar e manter a multiplicidade e intensidade de bens que são o acelerar dos padrões de vida nos Estados Unidos. Uma campanha promocional e publicitária, para um determinado produto numa dada altura, não proporciona nenhuma garantia automática de sucesso. No entanto, pode contribuir para a pressão geral pela qual os bens são estimulados e mantidos.
Sendo assim, a sua própria falha pode servir de adubo a este solo, como tanta outra coisa que parece ir pelo cano abaixo.
À medida que analisamos o conceito de lealdade do consumidor, constatamos que todo o problema de moldar a mentalidade americana está aqui envolvido."

Em Price competition in 1955, Journal of retailing, consultar What do I know, para efectuar uma leitura completa do artigo.

Sobre Sérgio O. Marques

Licenciado em Física/Matemática Aplicada (Astronomia) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Mestre em Matemática Aplicada pela mesma instituição, desenvolvo trabalho no PTC (Porto Technical Centre) - Yazaki como Administrador de bases-de-dados. Dentro o meu leque de interesses encontram-se todos os temas afins às disciplinas de Matemática, Física e Astronomia. Porém, como entusiasta, interesso-me por temas relacionados com electrónica, poesia, música e fotografia.
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