Quadro

Aquela árvore tem verde copa
Com laranjas àlaranjar.
Por trás dela, há uma janela
Tão humilde e tão singela
Com vista para o pomar.
Logo ao lado, há uma pereira
Tão perto da laranjeira
‘Inda sem pêras p’ra tirar.
A macieira tem maçãs
Já bem maduras p’ra manjar.
Os diospiros e os figos
Que são fruta de deliciar
Já dão cor a esta paisagem
Que se pode contemplar.
A janela daquela casa
Com vista para o pomar
Tem portadas coloridas
Às riscas muito garridas
Abertas de par em par.
No beiral, espera um pássaro
Pequenino a piar.
E os ninhos, já velhinhos
Servem só para enfeitar.
Da rua vêm-se escadas
Para a porta principal
E o trilho que lá leva
Toda a gente que lá chega
Passa pelo fontanal.
A relva mui bem regada
Cobre de fresco o jardim
Nesta casa perfumada
Com fragrância refrescada
A rosmaninho e alecrim.
Vê-se uma horta asseada
E muito bem cultivada
Bem ao fundo do quintal.
Também se vislumbra a vereda
Por onde tão linda e leda
Segue fermosa, uma pequena,
Que vai para o canavial.
O portão que fecha a quinta
É de ferro forjado
Bem tratado e trabalhado
Com figuras a embelezar
E o gradeamento que a cerca
São lanças muito afiadas,
Refinadas e alinhadas
Dando ares de encantar.
A rua que passa em frente
É ladrilhada em granito.
Desemboca numa praça
Repleta com tanta gente,
Ora triste, ora contente,
Num frenesi aflito.
À tarde bate o sol
De fronte à porta principal.
De manhã, quando resplandece,
Ilumina e aquece
Aquele pequeno pombal
Que por trás do pomar aparece.
Mesmo antes da vereda
Ergue-se nostálgica meda
Com palha p’ra criação.
Voam patos e galinhas,
Borboletas e joaninhas,
Correm gansos pelo chão.
Há também o grado gado
A pastar longe no prado
No sopé daquele monte
Onde se encontra a nascente
De água fresca e corrente,
Manancial da velha fonte.
E lá se sacia o gado
Nesse rio calmo e delgado
Que atrás do pasto se esconde.
A montanha encosta ao céu
Azul de dia brilhante
A alegrar o quadro
Apoiado na estante
Que encima a lareira.
Ao lado está a janela
Tão humilde e tão singela
Com portadas coloridas
Às riscas muito garridas
Abertas de par em par.
Pela janela vê-se o pomar
Do quadro da lareira,
A macieira e a pereira
E também a laranjeira
Com laranhas àlaranjar.

Sobre Sérgio O. Marques

Licenciado em Física/Matemática Aplicada (Astronomia) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Mestre em Matemática Aplicada pela mesma instituição, desenvolvo trabalho no PTC (Porto Technical Centre) - Yazaki como Administrador de bases-de-dados. Dentro o meu leque de interesses encontram-se todos os temas afins às disciplinas de Matemática, Física e Astronomia. Porém, como entusiasta, interesso-me por temas relacionados com electrónica, poesia, música e fotografia.
Esta entrada foi publicada em Poemas. ligação permanente.

Uma resposta a Quadro

  1. Cristina diz:

    Belo, simples e rústico… lindo. beijinhos

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