Poema amargo II

Preso aos crueis ditames do destino
Faminto de má sorte. Apenas a esperança
Alenta a tenebrosa escuridão sem tino
Quer fere, que subjuga, submete, cansa.

Sabê-lo, amargo sabor, paladar azedo,
Cheiro acre repulso que no ar avulsa
Desce-me aos confins do vil degredo
Prelúdio deste descontentamento que pulsa.

A ira torna-se o semblante da História,
O ódio, a sua alfaia que dilacera os justos,
Hedionda hegemonia dos monstros da Memória.

Surge o Homem a vestir pele de serpente
Àlardear, galã, as virtudes da cega justiça
E o mundo, calado e triste, consente.

Sobre Sérgio O. Marques

Licenciado em Física/Matemática Aplicada (Astronomia) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Mestre em Matemática Aplicada pela mesma instituição, desenvolvo trabalho no PTC (Porto Technical Centre) - Yazaki como Administrador de bases-de-dados. Dentro o meu leque de interesses encontram-se todos os temas afins às disciplinas de Matemática, Física e Astronomia. Porém, como entusiasta, interesso-me por temas relacionados com electrónica, poesia, música e fotografia.
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3 respostas a Poema amargo II

  1. amelia diz:

    poema bonito sérgio beijo

  2. Cristina diz:

    Tá muito bom este soneto, parabéns. Tás diferente nessa foto em relação à ultima tua que vi. Beijinhos da Tina

  3. Júlia diz:

    O mundo tem sido cego e mudo em relação à falta de justiça para com os monstros que nele habitam.Bonito e amargo este soneto.Abraço

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