Saúde enferma

Aqui há tempos apeteceu-me escrever umas coisas sobre o estado de alguns pormenores relacionados com a saúde, do meu ponto de vista. Não saiu nada de especial mas enfim…

O leite da China

Foi o leite em pó da China
Que fez mal à pequenina.
Ajuntaram-lhe melamina,
Família do tolueno,
Mui rica no grupo amina
Para ter mais proteína.
Ficou pior que veneno
E matou a pequenina.

A vacina hepática na África

Nem África se safa.
Já lhe afinfou a sarrafa
Desta nossa evolução
Pois foi a vacinação
Que os presenteou com a SIDA.
Veja-se que grande azar!
Deu-lhes cabo da vida
Só para os tentar salvar.
Altruísta salvação:
Matá-los do coração.
Ficaram por lá a morrer
Entregues à má sorte.
É hábito acontecer…
Ninguém se escapa da morte.

Ir ao bom galeno

Antes prefiro veneno
Do que ir ao bom galeno
E morrer envenenado,
A pensar ficar curado.

Para os ossos, clorato,
Benzil diaspernisóide,
Um pouco de feldspato
Para aliviar a tiróide.
Ácido acrilo-butanílico
Que já fez ganir o cão
Cura o malzinho hidrofílico,
Doença da comichão.
Aos diabetes faz falta
Um copo de insulina
Mas o que a malta prefere
É alcool para beber
Pois desinfecta e anima.
Um cházinho de camomila
Faz elevar a moral
Com força de catrapila
A desbastar matagal,
Um remédio p’ra calvice,
Ainda um outro p’ra tolice
Da vergonha em se ser calvo,
Dá azo à aldrabice
Para enganar o papalvo.
Conquanto a gripe avança,
As aves não têm parança
Nem os porcos estão a salvo
Neste mundo do avesso
Onde um prurido pungente
Precisa de levar gesso
E o micróbio inocente,
Mesmo útil à humanidade
É um perigo p’ra gente.

Autoridade para a segurança económica e alimentar

A cenoura é proibida,
Pela lei da ASAE
Que assusta e intimida
Com cada multa que de lá sai.
Nasce debaixo do chão
Onde vive a centopeia
Traz micróbios da tesão
E vírus da diarreia
Pululando na radícula.
Deve-se lavar com sabão
E enrolá-las em película
P’ra vender à multidão.
Para não contaminar
O repolho, a couve e o grelo,
Em vez de plantadas na terra
Nascem em baldes de gelo.
O peixe também faz mal
Ao coração e às tensões
Vem carregado de sal.
Só os grandes arrastões
Têm todas as condições
P’ra insonso peixe vender
Pois as caixas onde os trazem
São bonitas de ser ver.

As aves do aviário
Vivem bem e com calor,
Num higiénico cenário.
Podem beber água choca
E até óleo de motor
Serve para a paparoca
Pois a ASAE não intervém
É que… quem pode… pode
E quem pode… tem.

Sobre Sérgio O. Marques

Licenciado em Física/Matemática Aplicada (Astronomia) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Mestre em Matemática Aplicada pela mesma instituição, desenvolvo trabalho no PTC (Porto Technical Centre) - Yazaki como Administrador de bases-de-dados. Dentro o meu leque de interesses encontram-se todos os temas afins às disciplinas de Matemática, Física e Astronomia. Porém, como entusiasta, interesso-me por temas relacionados com electrónica, poesia, música e fotografia.
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