Medito

Entrego-me ao pensamento.
Exógenos ruídos são leve zuir.
Esqueço o tempo, cada momento,
Deixo a calmia fluir
Como um rio sem ondas ao mar
Cujas águas, em cada margem,
Se aninham a descansar.
Sigo numa estranha viagem
Por um longo caminho inane,
Sem odor, sem sabor, sem paisagem,
Repleto de um vazio imane.
Não há noite, não há tarde, não há manhã
Onde a luz e a treva são mera vacuidade
Dum mundo em disputa vã
Entre o bem e o mal; a mentira e a verdade.
Enche-se-me de paz o coração.
Não sei se bate, pois deixou de ser,
Já tão longe da emoção.
A cor? Deixei de ver.
A canção? Deixei de ouvir.
O sabor? Deixou-se-me de saber.
O cheiro? Deixei de cheirar.
O sentimento? Deixou-se-me de sentir
Como o tacto que me faz tocar.
Somente medito.

Sobre Sérgio O. Marques

Licenciado em Física/Matemática Aplicada (Astronomia) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Mestre em Matemática Aplicada pela mesma instituição, desenvolvo trabalho no PTC (Porto Technical Centre) - Yazaki como Administrador de bases-de-dados. Dentro o meu leque de interesses encontram-se todos os temas afins às disciplinas de Matemática, Física e Astronomia. Porém, como entusiasta, interesso-me por temas relacionados com electrónica, poesia, música e fotografia.
Esta entrada foi publicada em Poemas. ligação permanente.

Uma resposta a Medito

  1. Júlia diz:

    Lindo… Sérgio! Só achei triste.Abraço grande

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