O templo do ódio

Quando estava a investigar a génese coronológica da termodinâmica, comecei por considerar o inaugural livro de Carnot na área, o Réflexions sur la puissance motrice du feu et sur les machines propres a développer cette puissance, no qual, o autor se propõe a estabelecer as bases da ciência afim ao funcionamento das máquinas a vapor, porventura, com o intuito de reduzir essa ciência a um princípio fundamental como no caso da mecânica (veja-se, por exemplo, Méchanique Analytique). Com vista a compreender melhor o mecanismo central a uma máquina do género, decidi pesquisar nesse sentido, no qual encontrei o interessante texto Leibnitz, Papin and the Steam Engine, segundo o qual, coloca a origem da primeira Revolução Industrial em França, como um dos motes para a criação da Academia de Ciências, onde se juntou o famoso físico Huygens e os então jovens Leibnitz e Papin. Foi na Inglaterra que floresceu a tecnologia, arrastando consigo a expansão imperial. Deixo aqui a nota de que a segunda Revolução Industrial se seguiu do pioneiro trabalho de Carnot mas, desta vez, na Alemanha, com a invensão dos motores de combustão interna. Um pouco de atenção permite levar-nos à conclusão que estes avanços técnicos, além do conforto, estiveram no cerne das grandes guerras. O país que detém a tecnologia, detém a hegemonia e qualque país que a detenha, não é propriamente filantropo. É possível tomar como exemplo qualquer império desde a antiguidade até agora.

O dispositivo percursor da máquina a vapor é conhecido como a panela de Papin, consistindo numa espécie arcaica de panela de pressão. Este cientista escreveu o La maniére por amolir les os, o qual descreve o seu funcionamento. Este dispositivo permitiu à ciência, pela primeira vez, controlar pressões várias vezes superiores à pressão atmosférica e cujo objectivo prático, segundo o seu autor, era diminuir a pobreza. Apesar do ego altruísta de alguns descobridores, as sua obras acabam por encontrar aplicação nos domínios mais bélicos e perniciosos.

No vídeo que se segue, cuja música é “The temple of hate”, observamos que, apesar de toda a produção industrial da qual somos capazes além de ser insuficiente para amainar a fome, é aplicada nos actos mais nefastos. É a nossa verdadeira natureza.

Sobre Sérgio O. Marques

Licenciado em Física/Matemática Aplicada (Astronomia) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Mestre em Matemática Aplicada pela mesma instituição, desenvolvo trabalho no PTC (Porto Technical Centre) - Yazaki como Administrador de bases-de-dados. Dentro o meu leque de interesses encontram-se todos os temas afins às disciplinas de Matemática, Física e Astronomia. Porém, como entusiasta, interesso-me por temas relacionados com electrónica, poesia, música e fotografia.
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Uma resposta a O templo do ódio

  1. Júlia diz:

    É verdade, todas as grandes descobertas, ao longo dos tempos, acabaram por se tornar na nossa própria destruição. O ser humano tem uma natureza bélica, o que é uma pena.Abraço, Sérgio

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